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O Projeto

Um projeto de integração de pessoas refugiadas e/ou migrantes no meio rural português

Estamos a acolher quatro famílias de migrantes e refugiados na aldeia da Ima, concelho da Guarda. Disponibilizamos uma casa que se torne o seu lar e trabalho num projeto agrícola regenerativo.

Contexto

MIGRATÓRIO

 A OIM revela que o número de migrantes internacionais alcançou 272 milhões em 2019. Segundo o ACNUR, deste total, 79,5 milhões são deslocados forçados e 26 milhões pessoas refugiadas, resultado de perseguições, conflitos, e outras violações graves de direitos humanos. No contexto português, no ano de 2019, residiam 590.338 cidadãos estrangeiros com título de residência, de acordo com o SEF. Destes cidadãos, a maior comunidade no país é a brasileira, seguida da cabo-verdiana, britânica, romena, ucraniana e chinesa. O ACM diz-nos que, nos últimos anos, tem havido uma perda de importância relativa de migrantes dos PALOP, visto que muitos deles são cidadãos portugueses. Em 2019, Portugal recebeu ainda 1.849 pedidos de proteção internacional: um aumento de 45.3% face ao ano anterior.

MEIO RURAL

Observou-se em Portugal um decréscimo populacional de 271.337 habitantes entre 2011 e 2019, segundo o Pordata. O concelho da Guarda, onde se desenvolve o projeto piloto do LAR, é um dos mais afetados, tendo a sua população decrescido 8.3%. 

ECOLOGIA

Paralelamente ao processo de despovoamento, observa-se o abandono progressivo das terras no meio rural.

Conhecem-se também os problemas da agricultura convencional que secundariza a preservação da paisagem e da biodiversidade.

É por isto que surge o LAR!

O projeto LAR nasce em resposta as estas problemáticas da nossa contemporaneidade. Desenvolvido pela Associação de Apoio à Inclusão de Imigrantes e Refugiados, o LAR é uma resposta de segunda linha ao integrar pessoas que tenham terminado os programas de acolhimento de 18 ou 24 meses. Procuramos selecionar famílias de pessoas refugiadas e/ou migrantes que tenham gosto pela agricultura e o meio rural, integrando-as em aldeias do interior que estejam em risco de despovoamento. O LAR possibilita às famílias acolhidas uma casa e apoia todos os membros das famílias na sua inserção profissional, educacional e sociocultural.

Projeto Piloto

O LAR é resposta para um dos grandes desafios de ser refugiado ou migrante num novo país: encará-lo como uma nova casa. Na aldeia da Ima, a 14km da cidade da Guarda, foram reabilitadas quatro casas outrora devolutas e inabitadas. As casas, em conjunto com a abertura à receção de cidadãos estrangeiros dos residentes da aldeia, consistem nos primeiros alicerces para a construção de um contexto social estável e duradouro.

As primeiras duas famílias já chegaram à Ima, aldeia onde decorre o projeto piloto! Desde a sua chegada estão a dar os primeiros passos da sua integração e a acostumar-se à vida na aldeia. Desde a aprendizagem do português ao estabelecimento do projeto agrícola, são muitas as atividades que têm preenchido os dias, sempre com boa disposição e interesse nas aprendizagens que o mundo rural tem para oferecer.

Atualmente, o processo de seleção das outras duas famílias que virão integrar o projeto está a decorrer. Estas serão acolhidas nos próximos meses, e passarão pelo mesmo processo que está a ser desenvolvido agora para as já residentes na Ima!

SOCIAL

Proporcionamos um acolhimento faseado, primeiramente focado na integração sociocultural na envolvente local, próxima da comunidade e do campo. Para tal, criamos inúmeras atividades e projetos para facilitar esta aproximação, como atividades relacionadas com a interculturalidade e a intergeracionalidade.

Preocupamo-nos também com os “mais antigos” residentes da Ima. Queremos prestar apoio psicossocial às comunidades locais e incentivar à vida ativa em idade avançada.

ECOLOGIA

Na Ima, estamos a criar um projeto agrícola que proporciona a um membro de cada uma das famílias uma inserção laboral imediata, para assim plantar a semente do seu futuro na terra do país de acolhimento. 

Este é um projeto de regeneração ambiental que inclui uma parte de produção de hortícolas e de outros produtos diferenciados, como o açafrão, goji e groselha. Estes serão produzidos em modo de produção integrada e escoados em mercados locais e em comércios retalhistas de grande escala. O projeto prevê, para além da produção agrícola, uma área para reflorestação de árvores autóctones da região e outras de fruto. Ao longo do desenvolvimento do projeto, pretendemos envolver a comunidade e, assim, promover atividades de educação ambiental. 

Ao mesmo tempo que se desenvolve este projeto agrícola, o LAR vai acompanhar o a entrada no mercado de trabalho dos restantes membros das famílias, apoiando-os em todo o processo de inserção laboral.

Missão 

Ser uma solução para as famílias refugiadas e/ou migrantes que tenham terminado os programas de integração em Portugal, oferecendo-lhes condições e instrumentos para que escolham este país como o seu lar a longo prazo

Assegurar trabalho, formação e alojamento a cada membro das famílias refugiadas e/ou migrantes que se encontram sem perspetivas de rendimento ou alojamento estável e duradouro

Viabilizar a fixação de população jovem em aldeias do interior portuguesas de baixa densidade populacional

Combater o abandono das terras nos perímetros das aldeias do interior de Portugal

Incorporar modelos de agricultura sustentável com vista a preservar os recursos naturais e a biodiversidade

Valores

Cooperação

Ética

Pessoas no centro

Responsabilidade social

Regeneração

Transparência

Visão

Apoiar as famílias refugiadas e/ou migrantes em estabelecer-se de forma autónoma e autossuficiente a médio e longo prazo

Desconstruir preconceitos em relação a pessoas e suas culturas, combater a desinformação e todas as formas de discriminação

Ser parte da solução para o repovoamento do meio rural português

Desenvolver um modelo replicável que possa ser adaptado a outros contextos, e que permita às comunidades de refugiados e migrantes uma integração nas suas comunidades de acolhimento

Transparência

O nosso trabalho tem por base princípios de igualdade e não-discriminação, e este tratamento equitativo e inclusivo de todas as pessoas que integram o LAR contribui para a sustentabilidade a longo prazo. Procuramos sempre veicular a nossa mensagem de forma acessível, e estamos interessados em ouvir sugestões construtivas de quem as queira partilhar!

Documentos oficiais

Quem somos

A nossa equipa

Bárbara Moreira

Fundadora

Catarina Bento

Coordenadora de projeto

Ghalia taki

Intérprete, Mediadora e Conselheira

Vanessa rei

Coordenadora Social